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quinta-feira, janeiro 04, 2007

ainda bem que me faz essa pergunta catarina medina

Nasceu na aurora da década de 80, em Coimbra,
mas já tem contribuído e bem para a difusão da cultura em Portugal. Sobretudo a partir de Lisboa, onde Catarina Medina é responsável pela comunicação da associação cultural Alkantara. Escreve regularmente para o jornal Público, para as revistas Sábado, FEST, Elegy Ibérica e Storm e é presença assídua nesse verdadeiro banquete de tentações que é a agenda cultural Lecool.

Aprendeu com Urbano Tavares Rodrigues, Mário de Carvalho ou Ian Berry, realizou o documentário António Ramos Rosa, o poeta da modernidade, escreveu os contos Um eléctrico chamado Lisboa e Bairro Claro-escuro, este na brochura Trabalhos premiados Lisboa à letra. Não satisfeita, mantém o blog Callas em vez da televisão, sempre cheio de coisas recheadas de bom gosto.

Caranguejo, prefere camarão-tigre e ignora os signos. Vinicius de Moraes e Woody Allen estão entre as suas predilecções. Talvez por isso a abordagem tão airosa a este ainda bem que me faz essa pergunta, a verdadeira entrevista invertida - diospirojoyeux dá as respostas para o convidado fazer as perguntas.

Catarina Medina» "Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"
diospirojoyeux» Concordo. Até Vinicius de Moraes disse uma vez: "Detesto tudo que oprime o homem, inclusive a gravata".

Catarina Medina» Sei que tentou começar a ler um livro de Paulo Coelho, mas passado 10 páginas desistiu. Qual o motivo?
diospirojoyeux» Apenas porque pensei que era uma boa altura para utilizar esse tempo de outra forma.

Catarina Medina» Lisboa enquanto sinónimo de "alfacinhas", ténis, encarnado, presente, pretensão "às serras e montanhas", filas de trânsito, "santanismo", histórias de túneis de metro intermináveis, chique-espertice q.b. e pais que insistem em tratar os filhos por você. É isso que a cidade significa para si?
diospirojoyeux» Lisboa não significa nada disso para mim.

Catarina Medina» Nos últimos 30 anos, deu-se um enorme crescimento do fenómeno comunicacional. Os avanços tecnológicos apresentam-se como principal motor?
diospirojoyeux» Ou isso ou algo como o facto de a comunicação mediatizada, com os desenvolvimentos traduzidos e incentivados quer pela globalização quer pela convergência, afirmar-se com uma importância cada vez mais acentuada na vida dos indivíduos e das colectividades.

Catarina Medina» "À mulher compete tornar a casa atraente e acolhedora, prestar ao marido a deferência e submissão como chefe de família" , disse Salazar em 1933. O mundo doméstico e a cozinha ainda vão ser por muito mais tempo um "território" feminino?
diospirojoyeux» A meu ver, a tendência será uma crescente divisão de tarefas. A cozinha não será, e já não é, neste momento, um "território" exclusivo das mulheres.

Catarina Medina» Revê-se no ideal da Mulher do Portugal salazarista?
diospirojoyeux» Mas o que é que lhe dá o direito de me perguntar tal coisa?! Respeito, sim?

Catarina Medina» Será o amor apenas uma ilusão, o apropriar de uma adoração tão simples e a sua transformação em algo sobre o qual uma pessoa se possa comprometer a estar lá e ganhar certezas que tornem tudo mais seguro?
diospirojoyeux» Nunca ponho mostarda nisso. Mas também não vou partilhar a minha dieta consigo.

Catarina Medina» Existe alguma fórmula mágica para não "esturrar" o coração?
diospirojoyeux» Frigideiras com fundo teflon e uma boa espátula de madeira, naturalmente.

Catarina Medina» A sociedade não aceita ainda a comunidade gay nem lhe garante os mesmos direitos civis. A que se deve esta falta de confiança?
diospirojoyeux» Falta principalmente seriedade na luta, estratégias coerentes e consistentes. Não é com festas e arraiais que se conquistam direitos, mas sim com estratégia e prática política. E muito, muito trabalho.

Catarina Medina» Se fosse criativo de uma empresa de uma qualquer marca de preservativos e tivesse de ter um excerto da poesia de António Ramos Rosa como slogan, qual seria?
diospirojoyeux» Se alguém me atribuísse tal coisa, dir-lhe-ia: "Não posso adiar o amor para outro século".

5 comentários:

Anónimo disse...

Estou maravilhado ! :-D

J.

Anónimo disse...

se bem perguntas, melhor respondo, ou se bem respondes melhor pergunto?

Anónimo disse...

Parabéns!


Mary

Anónimo disse...

o Alexandre é mesmo louro .. ou é loiro ? :-P

sofia Mântua disse...

Absolutamente extraordinárias as suas respostas. Umas vezes confortaram-me pela sua simplicidade, outras maravilharam-me pela poesia, outras ainda, e sobretudo essas, supreenderam-me pela sua fleumática perplexidade.
Ainda bem que se lembraram da Catarina.